segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

155 anos do DR. Odilon Nestor- Por Juliano Rodrigues


Para não passar em branco na nossa história, sem tempo, resolvi escrever um pouco. 

Mil páginas não cabem para escrever sobre Odilon Nestor Barros Ribeiro (*26.02.1865 +1965), um dos filhos ilustres que o Teixeira deu à luz. Filho do casal José Jerônimo de Barros Ribeiro e Marcionila Carolina de Castro Ribeiro.

Como teixeirense, logo cedo bebeu da água do cacimbão e foi tocado pela poesia tendo incontáveis versos e romances publicados em jornais (Gazeta do Sertão, O Publicador, A Regeneração, entre outros) e tinha página na Revista O Cruzeiro. 

Odilon bacharelou-se em direito pela Faculdade de Recife, atuando como professor da cadeira de Direito Internacional, tendo sido por mais de 15 anos o reitor da Faculdade de Direito do Recife, tendo, também, sido diretor/redator-chefe do Jornal do Comércio, em Pernambuco. Em 05.05.1924, fundou o Centro Regionalista do Nordeste. Era lente/professor visitador na Faculdade de Lisboa. Publicou livros/obras relacionadas ao direito...

Foi ele o redator do decreto de 09.06.1930 que criou o “Território Livre de Princesa” em relação ao Estado da Paraíba.

Na foto acima, o Dr. Odilon Nestor aparece ao lado de um dos maiores parahybanos, o Sr. Assis Chateaubriand “Chatô, o rei do Brasil” (1994), dono dos chocolates lacta, dono dos diários associados. Sim, o cara que trouxe tv/televisor para o Brasil. Chateaubriand prestou serviços aos teixeirenses, quando em 1952 por meio de projeto autorizado, fez inaugurar o Posto de Puericultura no Centro de Teixeira. 

Pois bem. Assis Chateaubriand, como fã nº 1 de Odilon, sabia decorado quase todos os versos do nosso poeta. Em 1956, Chateaubriand, em uma das visitas ao Nordeste, obrigatoriamente colocou em pauta ter com o nosso teixeirense para tratar sobre uma dívida não paga desde 1911. Odilon foi professor de Chateaubrind e havia lhe prometido dar um anel de estimação. A joia em ouro e com safiras tinha forma de serpente. A joia já estaria referenciada em testamento e comunicado à família sobre o herdeiro Chatô. Fazia mais de 40 anos que o professor da Universidade Paris-Sorbonne havia feito a promessa ao discípulo e, agora, o aluno queria a todo custo receber o presente antes do cumprimento do testamento. O aluno, após mais de duas horas de conversa com o mestre fez a cobrança e o mestre teve que se desfazer da joia antes do tempo, sobre ela dizendo: “Você me deu muita sorte! Agradeço a você a minha longevidade”. E entregou-lhe o anel. Chateaubriand, comovido, agradeceu, e o fez na sua melhor forma: recitou de cor um poema de Odilon Nestor, “Os Perfumes”:

“Há perfumes que vêm, pelas manhas radiosas,
Verter na luz do sol emanações sutis.
Raios do quente odor das entreabertas rosas 
E dos sensíveis bogaris.

E há perfumes também, que de silencio cheios,
Pairam dentro da noite, entre os fluidos do luar.
Fragrâncias outonais soltas dos próprios seio
Das boninas que vão murchar...

Outros há que eu não sei se vêm das tuberosas, 
Das glicínias em flor, de alguma flor mortal.
São essências, talvez de plantas venenosas, 
Em lindos frascos de cristal [...]”.

Aos 23 anos de idade, Odilon Nestor escreve em um jornal paraibano:

SAUDADES DO MEU SERTÃO 

“Sete meses são contados; 
Que sai do meu torrão.
Passo a vida com cuidados,
Saudades do meu Sertão.

Ao levantar-me do leito,
Quando começa o clarão,
Logo sinto em meu peito,
Saudades do meu Sertão.

Ao colégio, mui saudoso, 
Vou dar a minha lição:
Volto triste, ansioso, 
Por novas do meu Sertão.
A só noite, à tardinha,
As trevas chegando vão;
A brisa passa mansinha,
Saudades do meu Sertão.

Todos dormem meia noite!
Tudo é silencio, então!
Acordo-me: não ouço açoite.
Dos ventos do meu Sertão.

Assim, aqui minha vida,
Passo triste a meditar.
Aflito, espero a partida,
A minha pátria, o meu lar!”.

Teixeira tem história. E em 26 de fevereiro será lembrado o nascimento de Odilon Nestor. São 155 anos. Em Teixeira, o auditório do Tribunal do Júri leva o nome dele.



POR JULIANO RODRIGUES- Advogado, graduado pelas Faculdades Integradas de Patos - FIP, com pós-graduação, tendo atuado no Ministério Público da Paraíba por 15 anos. Amante da música, em momentos vagos gosta de cantar.

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