terça-feira, 10 de março de 2020

Agenda de ex-governador da PB registra supostos pagamentos ilícitos feitos por radialista, diz MP

Fabiano Gomes passou por audiência de custódia após prisão preventiva ser cumprida na Operação Xeque-Mate — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
O radialista Fabiano Gomes, preso na oitava fase da Operação Calvário, teria relação com pagamentos ilícitos de propina, de acordo com a denúncia do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Durante a sétima fase da operação, foi encontrada uma agenda do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) onde existem registros dos pagamentos supostamente realizados por Fabiano Gomes.

A 8ª fase da Operação Calvário e investiga a lavagem de dinheiro de recursos desviados de organizações sociais da área da saúde, por meio de jogos de apostas autorizados pela Loteria do Estado da Paraíba (Lotep).

Conforme o documento, nos manuscritos da agenda pessoa de Ricardo Coutinho, Fabiano Gomes teria relação com "tanques com dinheiro"; "dois cartões de gasolina" que totalizam o montante de mais de R$ 11 milhões; "devolução de R$ 460 mil", como uma suposta propina que teria retornado a Fabiano sob o controle de Ricardo Coutinho; e um repasse de R$ 100 mil para um jornalista feito por Ricardo Coutinho a pedido de Fabiano Gomes.

Além disso, de acordo com as informações do MPPB, Fabiano Gomes está vinculado ao quadro de sócios de sete empresas. Uma dela teria recebido do Governo do Estado um valor superior a R$ 9 milhões.

Para comprovar o envolvimento de Fabiano Gomes com Ricardo Coutinho, o MP mostra que são mencionados manuscritos contidos agenda pessoal e que evidenciam repasses sistemáticos de propina ao radialista como R$ 30 mil, os quais teriam relação com os desdobramentos da Operação Xeque-Mate.

O que dizem os citados

Fabiano Gomes: A defesa do radialista Fabiano Gomes ainda não teve acesso a decisão do desembargador Ricardo Vital, mas acompanha a busca e apreensão e a prisão temporária. No entanto, informou estar surpresa com ação, pois, segundo a defesa, "Fabiano até então não era investigado, citado ou sequer foi ouvido antes pelo Gaeco na Operação Calvário, a quem sempre se colocou e novamente se coloca à disposição para todo e qualquer esclarecimento".
Ricardo Coutinho: de acordo com a defesa, como Ricardo não é alvo da operação, apenas foi citado, e a defesa não teve acesso ao conteúdo da denúncia, não haverá posicionamento no momento.

Oitava fase da Operação Calvário

O radialista Fabiano Gomes foi preso na manhã desta terça-feira (10) na oitava fase da Operação Calvário, em João Pessoa. Ele é suspeito de atrapalhar as investigações solicitando dinheiro aos investigados para não divulgar informações sigilosas. Segundo o blog de Matheus Leitão, do G1, o radialista também vai responder por porte ilegal de arma. Outros nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em João Pessoa e Bananeiras, na Paraíba. Um auditor também é investigado.

De acordo com as investigações, parte dos recursos teriam sido desviados com a participação de um auditor do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB). Ele teria recebido uma valor para atrapalhar a fiscalização nas organizações sociais.

Além disso, também com o objetivo de impedir a investigação da Operação Calvário, o radialista Fabiano Gomes estaria utilizando canais da imprensa para constranger os investigados ou potenciais investigados. Ele teria solicitado a eles uma quantia em dinheiro para não revelar nenhum conteúdo sigiloso sobre eles.

Também foram alvos de busca e apreensão o irmão do ex-governador da Paraíba, Coriolano Coutinho, acusado de ser sócio oculto do Paraíba de Prêmios (jogo de oposta); Mayara de Fátima Martins de Souza, chefe de gabinete de Estela Izabel, e secretária-geral da Cruz Vermelha Brasileira (CVB); e Denylson Oliveira Machado, um dos responsáveis pelo Paraíba de Prêmios.

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