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Em torno de sua padroeira, teixeirenses relembram sua história e invocam sua intercessão para se livrarem do coronavírus


Era 1862 e a Cólera devastava toda a província (estado) da Parahyba do Norte. Enquanto centenas de milhares de pessoas tinham suas vidas ceifadas pela terrível moléstia, em Teixeira, alguém orava. José Antônio de Castro era um comerciante como tantos outros, porém, a sua fé mudou a história da pequena Vila do Teixeira. Enquanto o pânico se apoderava dos pacatos habitantes da serra, José Antônio se voltava, com os joelhos no chão, para aquela que ele sabia que poderia conseguir de Deus a salvação do Teixeira: Santa Maria Madalena. Não sabemos as palavras, tampouco sabemos o local e o momento, mas sim, sabemos que a prece foi ouvida e “o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e teve piedade de seu povo”. (Jl 2, 18). A peste esteve distante duas léguas da vila e nenhum de seus moradores foi atingido. A promessa foi cumprida! Da França, uma imagem em madeira de Santa Maria Madalena chegou ao Teixeira. Essa imagem recebe, até os dias de hoje, as homenagens do povo teixeirense; ocupa um lugar de honra no Altar-Mor da Igreja Matriz. É para ela que o povo sofrido do Teixeira tantas vezes voltou o olhar. E assim tem sido pelos últimos cento e cinquenta e oito anos.

Observando as Sagradas Escrituras percebe-se que são poucas as vezes em que Maria Madalena é citada. Contudo, as poucas vezes em que seu nome aparece nos evangelhos, são cheios de riqueza para os que a amam. Para os teixeirenses, as passagens bíblicas que falam sobre Maria Madalena são carregadas de um sentido todo especial, uma vez que, sendo sua padroeira, Maria Madalena é também o seu principal modelo. Em ordem cronológica, Lucas é o primeiro evangelista a mencionar a santa. No capítulo 8, versículo 2 de seu livro, Lucas mostra Maria Madalena ao lado de outras mulheres que seguiam e serviam Jesus. Esse fato é um convite a todos os teixeirenses a ouvirem e serem discípulos e servidores do Cristo. É um convite para sentarmos ao lado do Senhor e ouvirmos o que Ele tem a nos dizer, pois “só Ele tem palavras de vida eterna”. (Jo 6, 68). É na mesma passagem que o evangelho fala que de Maria Madalena foram expulsos sete demônios. Os Padres da Igreja entenderam essa passagem como a libertação de Maria Madalena dos sete pecados capitais. Para os teixeirenses ela deve ter um sentido especial. Madalena ensina seu povo a crer na palavra libertadora de Deus e receber dele a libertação dos vícios e dos pecados.

Durante a Paixão e Morte do Senhor, Maria Madalena reaparece nos textos bíblicos. Os quatro Evangelhos mencionam esse fato mostrando Maria Madalena ao lado da Mãe do Senhor e das outras mulheres que acompanhavam Jesus ouvindo e servindo. O fato de Maria Madalena estar de pé, ao lado da Virgem Maria, aos pés da cruz é imagem de outras tantas mulheres do Teixeira, que mesmo nos momentos mais dolorosos sabem colocar-se de pé e agir pela construção de um mundo melhor e a superação de toda forma de dor e violência. Santa Maria Madalena, ainda nas mesmas passagens é mostrada junto de seu mestre até o fim. Não abandona seu Senhor, segue firme com Ele. Mesmo na dor e no sofrimento de Jesus, quando todos os discípulos fugiram e deixaram Jesus sozinho, Maria Madalena estava lá. Ela deixa o exemplo para seu povo de nunca, nem mesmo nas maiores tribulações, abandonarem seu Senhor.

Por fim, a última vez em que os Evangelhos falam de Maria Madalena e a mais importante, é o capítulo 20 do Evangelho de João. Ela aparece em todos os relatos da Ressurreição, porém, é no Evangelho de João que ela e Jesus protagonizam um dos mais belos diálogos da Bíblia. Nessa passagem nos deparamos com uma Madalena chorosa, buscando seu Senhor. Esse também é o choro de tantos teixeirenses que procuram uma razão para viver, um motivo para perseverar, um encontro com o Cristo. Essa passagem é comparada, na liturgia, com outra, do Cântico dos cânticos, o canto da noiva em busca de seu amado. Jesus inicia seu diálogo perguntando a Maria Madalena quem ela estava a buscar. Essa pergunta deve ressoar forte no coração de cada teixeirense. A quem realmente estão procurando? Quem realmente merece ser procurado? São questionamentos que essa pergunta de Jesus deve fazer a consciência de todos os devotos da Madalena. A resposta de Maria Madalena não poderia ser melhor. Ela não teme, procura seu Senhor e oferece-se para ir buscá-lo. Nisso, Madalena dá exemplo para que todos os teixeirenses, mesmo diante das incertezas e das calamidades deste mundo, nunca desistam de procurar o Senhor. Por fim, Jesus a chama pelo nome: “Maria!” E nisso, Madalena reconhece seu Senhor. Respondendo seu senhor ela exclama: “Rabuni!”, que significa “mestre”. Mais uma vez, o exemplo da padroeira do Teixeira é imenso. Com seu gesto, Maria Madalena ensina seu povo a ouvir a voz do Cristo vivo e vencedor, a reconhecer nele o Deus vivo e verdadeiro ao qual se deve adorar, amar e servir.

Jesus termina seu diálogo com Maria Madalena enviando-a para anunciar que Ele está vivo e estará para sempre junto de seu Pai. Enviou-a para anunciar que a morte já não terá mais poder sobre ninguém. Ele tem a última palavra. Com razão, a Igreja chama Maria Madalena de “Apostola Apostolorum” (Apóstola dos Apóstolos). É a grande missionária, já não é ouvinte, mas ensina o que ouviu de seu mestre, leva a alegria pascal. Assim também Maria Madalena convida seu povo a ser missionário, a levar notícias de alegria, a não deixar morrer a esperança, mesmo diante de todas as dificuldades.

Que o povo teixeirense, aprenda de sua padroeira! Que ela continue apontando o Senhor que salva e liberta de todos os vícios e pecados. Que ela ensine seu povo a ficar de pé, a não temer as tempestades e a cruz. Que ela oriente seu povo para entender que o Senhor está vivo e nunca nos abandona. Que nesta quarentena, isolados do mundo tão barulhento no qual vivemos, possamos redescobrir nossa Padroeira. Que possamos lembrar que pela sua intercessão Deus livrou nossa cidade de tantas pestes, enfermidades e epidemias. Teixeirenses, não percam a fé em vossa padroeira! Invocai a Protetora e defensora do Teixeira! Cantai, como tantas vezes já fizeram, seu hino! Pedi-lhe a fé, a religião, o civismo. Rezai por dias melhores, por paz e por saúde. Pedi-lhe o fim da pandemia do Covid-19 e para que, mais uma vez, ela livre vossa terra dos flagelos que o Senhor, por nossos pecados, permite. Pedi-lhe a prosperidade, para que quando essa crise passar, os teixeirenses possam seguir seus trabalhos e estudos de forma honesta e sem medo. 

Que os teixeirenses aprendam o valor ímpar de sua Excelsa Padroeira e possam repetir os tão belos versos que o saudoso Teodoro Nunes da Costa compôs em seu louvor:

“Não há poder nesta vida,
que à tua voz não se dome.
Perante a tua virtude
toda maldade se some.
No céu, em todo universo,
bendito seja o teu nome!”

Por Leonardo Marques


Teixeira em Foco