sexta-feira, 23 de outubro de 2020

CNBB diz que fala do papa sobre uniões gays não altera conceito católico de família



A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se manifestou, nesta quinta-feira (22), sobre os comentários do Papa Francisco defendendo uniões civis homossexuais.

Segundo a entidade, a fala demonstra “humanidade”, mas “não muda em nada do ponto de vista doutrinal ou dogmático sobre a família”. Segundo a igreja, o matrimônio só pode ocorrer entre homem e mulher.

Os comentários do Papa foram feitos em um documentário e vieram a público na quarta (21). No filme, ele disse que “pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família” e defendeu a criação de leis de união civil para garantir o direito dos casais homoafetivos.

A nota divulgada pela CNBB nesta quinta é assinada pelo bispo Dom Ricardo Hoepers, presidente da da comissão. No texto, ele afirma que “o Papa Francisco mais uma vez demonstra sua serenidade, voltando-se também às questões reais da vida cotidiana. Ele tem uma sensibilidade pastoral tão aguçada que nos impressiona com seu nível de humanidade”.

“A fala em questão trata-se de uma palavra em um documentário e, portanto, o Papa fala com o coração aberto sobre os reais sofrimentos das pessoas de condição homoafetiva. Em uma sociedade que exclui com preconceitos e violência, é uma fala sobre dignidade e, acima de tudo de respeito que devemos ter para com todas as pessoas”, diz a nota.

Na nota, o bispo também diz que o Papa Francisco se tornou “a voz dos que se tornaram invisíveis nas periferias geográficas e existenciais”, e citou que as pessoas LGBT devem ter leis que as protejam.

“No caso das pessoas em condição homoafetiva, muitas delas são abandonadas pelas suas famílias, discriminadas pela sociedade, e à margem dos direitos de ter uma cidadania respeitada. A realidade da discriminação também pode levar à violência e à exclusão social. Portanto, diante desses perigos, o Papa entende que uma lei deve buscar garantir a seguridade que toda pessoa merece ser cidadão de direitos.”

Porém, ao fim do texto, o presidente da Comissão para Vida e Família da CNBB diz que a fala, no contexto do documentário não altera o conceito da igreja católica sobre a família. Segundo a nota, o próprio Papa Francisco reforçou as diretrizes de que o matrimônio deve ser entre homem e mulher.

“O Papa Francisco já realizou dois Sínodos e escreveu uma Exortação Apostólica pós-sinodal chamada Amoris laetitia – sobre a alegria do amor na família. Esse documento afirma que continuamos a caminhar em pleno acordo com a Tradição da Igreja sobre a sacralidade do Matrimônio e sua dignidade no plano de Deus: ‘O matrimônio cristão, reflexo da união entre Cristo e a Igreja, realiza-se plenamente na união entre um homem e uma mulher, que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, se pertencem até a morte e abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para se constituírem como Igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade (Amoris laetitia, n. 292)'”.


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