domingo, 4 de outubro de 2020

Incêndios assustam moradores de comunidades rurais na região de Patos, no Sertão



Uma série de incêndios tem assustadores moradores de comunidades rurais localizadas em Patos e cidades próximas, no Sertão. Pela dificuldade de acesso, já que em muitas dessas propriedades só se é possível chegar através de motocicletas ou veículos de grande porte, até mesmo as ações do Corpo de Bombeiros estão sendo dificultadas. Essa semana, o fogo atingiu os sítios Cuncas e Santa Rita, que graças a mobilização dos moradores, danos maiores não foram causados. O problema é que os motivos para as queimadas ainda não foram identificados.

Na última quarta-feira (30), os moradores do Sítio Cuncas, que fica na área rural da cidade de São José de Espinharas, distante 332 km da capital João Pessoa, se surpreenderam com as chamas destruindo a vegetação e que, por muito pouco, não matou vários animais. O incêndio durou aproximadamente dez horas e foi contido por ações dos próprios moradores com água, ferramentas e o resto da vegetação que não havia queimado.

“A gente tava almoçando, mais ou menos por volta do meio-dia. Como começou ninguém sabe, mas foi terminando de almoçar e corremos para entrar nessa luta para apagar o fogo com enxadas, galhos e isso se estendeu até a noite. Aí sim, foi quando conseguimos combater metade do fogo. Tínhamos umas oito pessoas mobilizadas. Salvamos os animais colocando todos no curral, mas o incêndio foi grande e queimou muita coisa”, disse o agricultor Severino Pedro, que mora na comunidade.

O olhar da agricultora Raimunda Rodrigues para a paisagem, agora queimada, era de tristeza e de preocupação. Ela, que mora mora no Sítio Cuncas há 25 anos, disse que nunca viu nada que lhe causasse tanta aflição, da mesma forma como o incêndio ocorrido esta semana. Para ‘Dona Raimunda’, como prefere ser chamada, o medo maior agora é que o episódio se repita em um horário que não haja possibilidade de salvar as pessoas e os animais que vivem no local.

“Foi horrível a fumaça aqui. A gente tava ficando até com dificuldade para respirar, pois era fogo em todo canto e ficamos dentro de casa, que era o único local seguro. Eu tinha ido a Patos e quando cheguei no sítio tava tudo tomado pelo fogo. Minha preocupação era com os animais, porque meu medo era que eles morressem queimados. Nunca vi isso em 25 anos morando aqui”, contou Dona Raimunda.

O comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, major Danilo Galvão, afirmou que há uma dificuldade para ter acesso em algumas comunidades rurais da região de Patos, pois o caminho até chegar em muitas delas, não há condições dos veículos de combate à incêndio conseguirem acesso. O militar destacou a bravura dos moradores, mas ressaltou que é preciso ter conhecimento técnico para agir em uma ocorrência como essa.

“Na zona rural, nossas viaturas não chegam porque não tem estrada. Muitas vezes estamos no local, mas abordamos o fogo de outra maneira. Nessa ocorrência, assim como em outras nas últimas semanas, tivemos o apoio da população que nos ajudou até com tratores para abrirmos novas estradas. Eles sabem onde tem água, onde tem pasto e acessos que nos fazem chegar aos lugares de forma rápida. Sempre orientamos para que eles tenham cuidado e priorizem a segurança, pois não adianta tentar apagar o fogo sem ter experiência, pois o que está em jogo são vidas”, finalizou.

Jornal da Paraíba

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