sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Mulher detida por injúria racial após dizer que odeia negros pode responder por racismo, diz delegado



A mulher detida por injúria racial após agredir verbalmente um homem e dizer que odeia negros, em João Pessoa, pode responder pelo crime de racismo, informou o delegado Pedro Ivo nesta sexta-feira (16). Um segundo vídeo, onde a mulher aparece chamando os negros de “pior raça”, em um local diferente do primeiro vídeo, chegou até a Polícia Civil.

No segundo vídeo, a mulher está na fila do caixa de uma loja no Centro da capital. “Raça negra para mim é a pior raça. Olhe, seja homem, seja mulher, seja menino, seja o que for, raça negra não presta”, diz a mulher no vídeo.

Segundo Pedro Ivo, a mulher inicialmente foi detida por injúria racial pois a delegada que atendeu a ocorrência fez o procedimento apenas com o depoimento da vítima da primeira agressão, antes da polícia ter acesso aos vídeos.

“Neste caso específico, a delegada entendeu como injúria, mas com os novos elementos apresentados, é possível que mude a tipificação”, disse Pedro Ivo.

Na quarta-feira (14), a mulher foi detida após ofender um guia turístico da capital dentro de uma agência bancária. As imagens, que viralizaram nas redes sociais, foram gravadas por uma pessoa que estava no local e mostram quando a mulher diz: “sou a maior racista do planeta Terra, odeio a raça negra”.

A vítima é Daniel Lima. Ele contou à TV Cabo Branco que chegou na agência para fazer um depósito e, enquanto estava fazendo o procedimento, a mulher estava na fila para outro atendimento. "Ela perguntou porque o banco havia fechado com alguém da raça negra", conta ele. Ela se referia a uma pessoa negra que estava na propaganda da agência. De acordo com o Boletim de Ocorrência, a mulher também teria dito que ele deveria estar na senzala.



"Ela começou a fazer insultos e perguntei o que houve. Ela disse: você é um negro bandido, você é um negro safado", conta o homem sobre as agressões.

A mulher chegou a ficar detida na carceragem da Central de Polícia Civil, mas foi liberada após pagar uma fiança de R$ 350.

O marido dela apresentou, na quinta-feira (15), um laudo que diz que a mulher tem um quadro de transtorno afetivo bipolar. O documento é datado da quinta-feira e foi emitido pelo psiquiatra da família.

Ainda conforme o laudo, a mulher também apresenta sintomas maníacos e psicóticos, no momento. O marido da suspeita declarou, ainda, que ela foi diagnosticada com a doença em 2017, que melhorou após ser medicada, mas voltou a apresentar piora no quadro clínico.

“Ela está meio arredia a voltar à medicação e aconteceu essa questão ontem. De repente, dá essa coisa na cabeça dela. Eu peço perdão primeiramente ao amigo que estava presente lá no banco e a todos que se sentiram ofendidos”, disse o marido.

Ainda de acordo com o delegado Pedro Ivo, a mulher não prestou depoimento, pois no momento do flagrante estava descontrolada. Pedro disse que o laudo ainda não chegou ao conhecimento da Polícia Civil, mas que pode ser entregue durante o decorrer do inquérito.

“Não é o fato que ele [o laudo] existe, que significa que essa pessoa não tem condições de responder por suas condutas. É preciso que este documento e a pessoa sejam submetidos a uma perícia médica para saber de fato se ela tem a incapacidade apresentada no laudo ou se ela consegue compreender o caráter ilícito de suas condutas”, disse o delegado.

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